Caju-de-janeiro
Um pé de
caju-de-janeiro
recortava o
horizonte,
em direção à
fonte,
lá
no topo da serra.
Em caminhadas
pequenas,
em aventura
insensata,
eu me embrenhava
na mata
uma, duas vezes...
centenas.
Queria o
caju-da-terra.
— Nhambu, calango,
quati,
estou passando por
aqui,
sabem o caminho da
serra?
Nas asas de um
bem-te-vi,
certa manhã de
janeiro,
abracei meu
cajueiro
e na mata me
perdi.
Meu pai montado a
cavalo
pelo meu nome
gritava,
eu ouvia, mas
calava,
com receio de
encontrá-lo.
Era um medo
esquisito
de perder meu
cajueiro
e depois só poder
vê-lo
recortado no
infinito.