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Manaus, 07 de setembro de 2010
Poemas
CAJU-DE-JANEIRO
João Batista Gomes
Caju-de-janeiro

Um pé de caju-de-janeiro

recortava o horizonte,

em direção à fonte,

no topo da serra.

 

Em caminhadas pequenas,

em aventura insensata,

eu me embrenhava na mata

uma, duas vezes... centenas.

Queria o caju-da-terra.

 

— Nhambu, calango, quati,

estou passando por aqui,

sabem o caminho da serra?

 

Nas asas de um bem-te-vi,

certa manhã de janeiro,

abracei meu cajueiro

e na mata me perdi.

 

Meu pai montado a cavalo

pelo meu nome gritava,

eu ouvia, mas calava,

com receio de encontrá-lo.

 

Era um medo esquisito

de perder meu cajueiro

e depois só poder vê-lo

recortado no infinito.

 

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